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História Marginais
Temporada II
Na segunda temporada de Histórias Marginais, revisitamos narrativas de prisão e crime no Brasil do século XX. Entre cartas de presos, prontuários carcerários e memórias coletivas, acompanhamos a trajetória de um detento que escreveu sobre sexualidade no cárcere, constituímos um crime brutal que marcou a cidade de Tietê, desvendamos redes clandestinas de falsificadores que atravessaram fronteiras e investigamos como teorias raciais moldaram vidas por trás das grades. Tudo isso conduzido por um esforço consciente de romper com o formato tradicional do artigo acadêmico, em busca de novas maneiras de contar e compartilhar histórias silenciadas.
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Histórias Marginais: Escritos Efêmeros
Temporada I
A primeira temporada da série Histórias Marginais, intitulada Escritos Efêmeros, foi escrita com base nos prontuários dos detentos da Penitenciária de Florianópolis. os episódios foram intitulados: “Recortes de jornal”, “Legítima defesa da honra”, “Indivíduos pervertidos”, “Tipos à parte”, “Escrevo-lhe estas linhas” e o episódio bônus “Os meninos de uniformes azuis”. O episódio bônus traz histórias e experiências em outros estados e/ou países. Os episódios remetem a questões que reverberam no presente, como a fronteira entre crime e loucura, o lugar destinado aos tidos como loucos condenados pela justiça, o cárcere feminino, as dinâmicas internas do espaço prisional e suas incongruências, a prisão e suas relações com a sociedade além muros, etc.
Convidamos os professores Fernando Salla (NEV/USP), Marcos Bretas (UFRJ) e Sandra Caponi (UFSC), para conversarem conosco comentando alguns dos episódios desta temporada.
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Sobre o podcast
A série de podcast Histórias Marginais trata daqueles colocados às margens da sociedade, dos condenados a não deixar rastros e cujas histórias chegam até nós devido ao fato de suas existências terem sido atravessadas pela experiência institucional. São trabalhadores e trabalhadoras rurais, operários e operárias, domésticas, menores, donas de casa, pessoas comuns, existências ordinárias que possivelmente não deixariam rastros ou vestígios evidentes. Contudo, devido a um desvio, um choque com o poder, foram apreendidos, vigiados e controlados pelo Estado, que produzia dossiêsr, astros fugidios que se perdem após a saída dos detentos da instituição. Talvez tenham retornado para seus núcleos sociais de origem, talvez mudado de cidade. Mas os seus prontuários, o registro, o breve dossiê de suas vidas institucionais, seguiu nas margens e continua, mesmo na atualidade, retratando as margens da sociedade.
Para criar os podcasts nos apropriamos deste material – o acervo prontuários de sentenciados da Penitenciária de Florianópolis, mergulhamos nas vidas sem história que emergem dele. Sob a perspectiva da História Pública, nos interessamos pelos processos de construção de produtos que visam atingir uma audiência mais ampla. Assim, os caminhos tecidos no processo de construção do podcast são tão importantes quanto o seu resultado. “Histórias reais atravessadas por experiências em hospitais psiquiátricos, prisões, reformatórios e leprosários”.
Atendendo a preocupações éticas, usamos em nossos episódios somente pseudônimos. Na primeira temporada, nossos personagens serão chamados por nomes de prisões do Brasil e do exterior, indicando que essas histórias marginais poderiam fazer parte de qualquer um desses lugares.
O formato é o de storytelling não ficcional, criando um pacto com o ouvinte que procura aquilo que move muito da curiosidade humana, o famoso “based on a true history”. O gênero da primeira temporada pode ser classificado como “true crime”, crimes baseados em casos reais. Mais que isso, tratam-se de episódios totalmente construídos a partir de fontes históricas, o que permite aos interessados acompanhar o processo de criação de um produto a partir da matéria prima da operação historiográfica. Não apresentamos soluções aos crimes, nem histórias com desfechos, também não dramatizamos e não julgamos. Trabalhamos com o que foi dito, com os registros inscritos nas fontes. Não estamos aqui buscando uma neutralidade impossível (e indesejada) ao historiador, a própria escolha do tema já mostra nosso compromisso em trazer à tona as histórias de vidas, as construções narrativas, as possibilidades de compreensão dos espaços de confinamento a partir de uma visão de dentro para fora das instituições. Uma experiência auditiva voltada principalmente a jovens ingressantes nos cursos de história, mas também a um público amplo interessado na temática.
Projeto aprovado pelo comitê de ética em pesquisa em 26 de Abril de 2021 (parecer 4.670.48).
